A morte da morte

A morte da morte

O sangue de um cordeiro morto, colocado nas ombreiras e na verga das portas das casas dos hebreus (Ex 12.7), seria o sinal para que a morte não os atingissem e, assim, Deus cumpriria a promessa de libertação e salvação do seu povo (Ex 12.13). O SENHOR passaria e olharia para o sangue. O SENHOR não olharia para dentro da casa, não faria um check-list da vida e das obras daquelas pessoas. O sangue seria o sinal da libertação.

            Esse momento foi chamado no antigo Israel de Páscoa, cujo significado é passagem – um evento que marcaria a passagem ou a saída do povo de Deus do Egito. A Páscoa, como festa, deveria ser um lembrete dessa libertação do poder escravizador. Um cordeiro imolado, o sangue derramado e a promessa cumprida.

             A festa pascal funcionou em Israel como sinal de algo maior. A Páscoa judaica era apenas sombra da verdadeira Páscoa. João Batista afirmou: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), esse cordeiro foi mudo ao matadouro, seu sangue foi vertido, marcando não os umbrais da porta, mas, sim, a cruz romana. O sangue que escorreu da face do cordeiro e pingou no chão batido da palestina do primeiro século foi o sinal da nova administração do pacto da graça, daquele momento até a consumação dos séculos.

            Páscoa fala sobre a libertação. Não de um povo étnico, mas de todo aquele que deposita fé somente em Jesus Cristo, como o Filho de Deus. É sobre uma vida sem o julgo, não o do Egito, mas o do pecado. É sobre uma morte amargamente substitutiva, um Cristo agonizante na cruz, uma voz que busca pelo Pai, mas que é invadida pelo silêncio divino: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes?” (Mt 27.46). Todo o drama da cruz tinha um propósito: para que você e eu, em Cristo, pudéssemos ser abraçados pela Trindade Santa – Pai, Filho e Espírito!

            Tudo isso é uma parte da boa notícia, pois não podemos terminar na sexta-feira da paixão, nem no sábado do sepulcro, afinal, o domingo estava logo ali. Nossa caminhada não é sobre os sofrimentos da sexta ou o silêncio oriundo do luto no dia seguinte. Caminhamos, firmados e olhando para o domingo da ressurreição – a vitória da morte, por meio da entrega do cordeiro de Deus; naquele que não celebrou a Páscoa por ser a própria Páscoa!

Nunca se esqueça que a Páscoa cristã é um lembrete de quem éramos, mortos nos pecados; de quem somos agora, livres em Jesus; e para onde vamos, a Jerusalém celestial. “Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito” (Mateus 28.5).

Deus te abençoe!

AUTOR: Rev. André Carollino

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